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sábado, 23 de maio de 2020

Nazim Hikmet (Tessalônica/Grécia: 1902 – Moscou/Rússia: 1963)




Um Triste Estado de Liberdade


Tu desperdiças a atenção de teus olhos,
o labor cintilante de tuas mãos,
e sova massa suficiente para dúzias de pães
dos quais não provarás sequer uma migalha;
tu és livre para escravizar-te aos outros -
tu és livre para tornar o rico mais rico.

Do momento em que tu nasces
eles plantam a tua volta
moinhos que trituram mentiras
mentiras que perduram por tua vida.
Tu continuas pensando em tua grande liberdade
um dedo sobre a fronte
livre para possuíres uma livre consciência.

Tua cabeça dobrou-se como se meio cortada rente à nuca,
teus braços longos, pendurados,
teu perambular em tua grande liberdade:
tu és livre
com a liberdade de estar desempregado.

Tu amas o teu país
como se a coisa a ti mais próxima, mais preciosa. 
Mas um dia, por exemplo,
eles poderão endossá-lo à América,
e tu, também, com a tua grande liberdade -
tu tens a liberdade de transformar-te em uma base aérea.

Tu podes proclamar que alguém vive
não como uma ferramenta, um número ou uma conexão,
mas como um ser humano -
então de súbito eles algemam teus pulsos.
Tu és livre para seres preso, enjaulado
e mesmo enforcado.

Não há nem uma cortina de ferro
ou de madeira nem de tule
em tua vida;
é inútil escolheres a liberdade:
tu és livre.
Mas essa espécie de liberdade
é um triste acontecimento sob as estrelas.


A Sad State of Freedom

(Traduzido do grego por Taner Baybars)


You waste the attention of your eyes, 
the glittering labour of your hands, 
and knead the dough enough for dozens of loaves 
of which you'll taste not a morsel; 
you are free to slave for others– 
you are free to make the rich richer. 

The moment you're born 
they plant around you 
mills that grind lies 
lies to last you a lifetime. 
You keep thinking in your great freedom 
a finger on your temple 
free to have a free conscience. 

Your head bent as if half-cut from the nape, 
your arms long, hanging, 
your saunter about in your great freedom: 
you're free 
with the freedom of being unemployed. 

You love your country 
as the nearest, most precious thing to you. 
But one day, for example, 
they may endorse it over to America, 
and you, too, with your great freedom– 
you have the freedom to become an air-base. 

You may proclaim that one must live 
not as a tool, a number or a link 
but as a human being– 
then at once they handcuff your wrists. 
You are free to be arrested, imprisoned 
and even hanged. 

There's neither an iron, wooden 
nor a tulle curtain 
in your life; 
there's no need to choose freedom: 
you are free. 
But this kind of freedom 
is a sad affair under the stars.



Jorge Seferis (Grécia: 1900 – 1971)

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