Mostrando postagens com marcador México: Octavio Paz (1914 – 1998): - A Poesia / La Poesía. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador México: Octavio Paz (1914 – 1998): - A Poesia / La Poesía. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Octavio Paz (México:1914 – 1998)


A Poesia


A Luis Cernuda

Por que tocas meu peito novamente?

Chegas, silenciosa, em segredo, armada,

tal qual guerreiros a uma cidade adormecida;

queimas minha língua com teus lábios, polvo,

e despertas os furores, os gozos,

e esta angústia sem fim

que excita o que toca

e engendra em cada coisa

uma avidez sombria.

O mundo cede e se desfaz

como metal ao fogo.

Por entre minhas ruínas me levanto,

só, despido, despojado,

sobre a rocha imensa do silêncio,

como um solitário combatente

contra invisíveis hostes.

Verdade abrasadora,

a que me empurras?

Não quero tua verdade,

tua insensata pergunta.

Por que esta luta estéril?

Não é o homem criatura capaz de refrear-te,

avidez que só na sede se sacia,

chama que a todos os lábios consome,

espírito que não vive em nenhuma forma,

mas faz arder todas as formas

com um secreto fogo indestrutível.

Mas insistes, lágrima escarnecida,

e eriges em mim teu império desolado.

Emerges do mais profundo de mim,

do centro inominável de meu ser,

exército, maré.

Cresces, tua sede me afoga,

expulsando, tirânica,

aquilo que não cede

à tua espada frenética.

Já apenas tu me habitas,

tu, sem nome, furiosa substância,

avidez subterrânea, delirante.

Golpeiam-me o peito teus fantasmas,

despertas ao meu tato,

gelas minha fronte

e tornas proféticos meus olhos.

Percebo o mundo e te toco,

substância intocável,

unidade de minha alma e de meu corpo,

e contemplo o combate que combato

e minhas bodas de terra.

Anuviam os meus olhos imagens opostas,

e às mesmas imagens

outras, mais profundas, as negam,

ardente balbucio,

águas a que inunda uma água mais oculta e densa.

Em sua úmida treva vida e morte,

quietude e movimento, são o mesmo.

Insiste, vencedora,

porque tão só existo porque existes,

e minha boca e minha língua se formaram

para dizer tão só tua existência

e tuas secretas sílabas, palavra

impalpável e despótica,

substância de minha alma.

És tão só um sonho,

mas em ti sonha o mundo

e sua mudez fala com tuas palavras.

Roço ao tocar o teu peito

a elétrica fronteira da vida,

a treva de sangue

onde pactua a boca cruel e enamorada,

ávida ainda de destruir o que ama

e reavivar o que destrói,

com o mundo, impassível

e sempre idêntico a si mesmo,

porque não se detém em nenhuma forma,

nem se demora sobre o que engendra.

Leva-me, solitária,

leva-me, por entre os sonhos,

leva-me, minha mãe,

desperta-me de todo,

faz-me sonhar teu sonho,

unta meus olhos com azeite,

para que ao conhecer-te eu me conheça.



La Poesía


A Luis Cernuda

¿Por qué tocas mi pecho nuevamente?
Llegas, silenciosa, secreta, armada,
tal los guerreros a una ciudad dormida;
quemas mi lengua con tus labios, pulpo,
y despiertas los furores, los goces,
y esta angustia sin fin
que enciende lo que toca
y engendra en cada cosa
una avidez sombría.

El mundo cede y se desploma
como metal al fuego.
Entre mis ruinas me levanto,
solo, desnudo, despojado,
sobre la roca inmensa del silencio,
como un solitario combatiente
contra invisibles huestes.

Verdad abrasadora,
¿a qué me empujas?
No quiero tu verdad,
tu insensata pregunta.
¿A qué esta lucha estéril?
No es el hombre criatura capaz de contenerte,
avidez que sólo en la sed se sacia,
llama que todos los labios consume,
espíritu que no vive en ninguna forma
mas hace arder todas las formas
con un secreto fuego indestructible.

Pero insistes, lágrima escarnecida,
y alzas en mí tu imperio desolado.

Subes desde lo más hondo de mí,
desde el centro innombrable de mi ser,
ejército, marea.
Creces, tu sed me ahoga,
expulsando, tiránica,
aquello que no cede
a tu espada frenética.
Ya sólo tú me habitas,
tú, sin nombre, furiosa sustancia,
avidez subterránea, delirante.

Golpean mi pecho tus fantasmas,
despiertas a mi tacto,
hielas mi frente
y haces proféticos mis ojos.

Percibo el mundo y te toco,
sustancia intocable,
unidad de mi alma y de mi cuerpo,
y contemplo el combate que combato
y mis bodas de tierra.

Nublan mis ojos imágenes opuestas,
y a las mismas imágenes
otras, más profundas, las niegan,
ardiente balbuceo,
aguas que anega un agua más oculta y densa.
En su húmeda tiniebla vida y muerte,
quietud y movimiento, son lo mismo.

Insiste, vencedora,
porque tan sólo existo porque existes,
y mi boca y mi lengua se formaron
para decir tan sólo tu existencia
y tus secretas sílabas, palabra
impalpable y despótica,
sustancia de mi alma.

Eres tan sólo un sueño,
pero en ti sueña el mundo
y su mudez habla con tus palabras.
Rozo al tocar tu pecho
la eléctrica frontera de la vida,
la tiniebla de sangre
donde pacta la boca cruel y enamorada,
ávida aún de destruir lo que ama
y revivir lo que destruye,
con el mundo, impasible
y siempre idéntico a sí mismo,
porque no se detiene en ninguna forma
ni se demora sobre lo que engendra.

Llévame, solitaria,
llévame entre los sueños,
llévame, madre mía,
despiértame del todo,
hazme soñar tu sueño,
unta mis ojos con aceite,
para que al conocerte me conozca.


Jorge Seferis (Grécia: 1900 – 1971)

  Argonautas   E se a alma deve conhecer-se a si mesma ela deve voltar os olhos para outra alma: * o estrangeiro e inimigo, vim...