segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Amanda Pedrozo (Paraguai: 1955 – )





Cópula


A cópula é uma árvore louca e triste
onde floresce repentinamente
esse nada que se espalha da carne
até a pele e o grito.
A cópula é uma faca de angústia
fracionando em milésimos de júbilo.
É uma dor em tosca dissimulação
uma perdida redondez de ausência
um tempo sem pulsação.
É de um súbito querer lançar o corpo
para além do corpo
reconhecermo-nos em outro curso antigo
infinitamente mais aberto
e mais impenetrável.
É quase derramar o sangue
numa cega profusão de giros
imagens e rostos.
A cópula é a esperança negativa
que traz a si mesma
e recomeça infalivelmente
em sua própria fraqueza.
Nós copulativos
dadivosos e obstinadamente inóspitos
água ou chamas
certeza de existir simplesmente
e apesar de manchados de cinza
futuros cadáveres.
A cópula é um túnel enganoso e rápido
é fazer caretas defronte o espelho.
querer foder a morte
em uma esquina ávida e sem luzes,
tornar-se repetidamente
muro e milagre
abismo e canto
silêncio, tumulto.


Cópula


La cópula es un árbol loco y triste
donde florece repentinamente
esa nada que se esparce desde la carne
hasta la piel y el grito.
La cópula es un cuchillo de angustia
fraccionado en milésimas de júbilo.
Es un dolor en tosco disimulo
una perdida redondez de ausencia
un tiempo sin pulso.
Es de golpe querer lanzar el cuerpo
lejos del cuerpo
reconocernos en otro cauce antiguo
infinitamente más abierto
y más impenetrable.
Es casi derramar la sangre
en una ciega profusión de giros
imágenes y rostros.
La cópula es la esperanza negativa
que se traga a sí misma
y se recomienza sin falta
en su propio lamido.
Nosotros copulativos
dadivosos o tercamente inhóspitos
agua o llamas
corteza de existir simplemente
y sin embargo borrosos de cenizas
futuros cadáveres.
La cópula es un túnel engañoso y rápido
es hacerle muecas al espejo.
querer joder a la muerte
en una esquina ávida y sin luces,
volvernos repetidamente
muro y milagro
abismo y canto
silencio, tumulto.



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