sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Elvio Romero (Paraguai: 1926 – 2004)




Tormenta

A noite tem sido longa.
Como há cem anos
de chuva,
de uma respiração embravecida
proveniente de uma profunda vertigem noturna,
de um cântaro corado
jazendo na terra,
o vento desatou sua tempestade violenta
sobre o véu anelante da ilusão
efêmera, sobre os fatigados ministérios
e tu e eu, na colina
mais alta,
no rincão de nossos dois silêncios,
abraçados ao tempo do amor, desvelando-nos.

Deixa que o vento morda sobre o vento.

E te cerrarei os olhos


Tormenta


La noche ha sido larga.
Como desde cien años
de lluvia,
de una respiración embravecida
proveniente de un fondo de vértigo nocturno,
de un cántaro colorado
jadeando en la tierra,
el viento ha desatado su tempestad violenta
sobre el velo anhelante de la ilusión
efímera, sobre los fatigados menesteres
y tú y yo, en la colina
más alta,
en el rincón de nuestros dos silencios,
abrazados al tiempo del amor, desvelándonos.

Deja que el viento muerda sobre el viento.

Yo te cerraré los ojos

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