quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

Alberto Blanco (México: 1951 – )


Teoria quântica


O calor irradiado - mesmo se por um fogaréu campestre
ou pelas explosões atômicas no núcleo do sol –
não gera um fluxo contínuo:
mais se assemelha ao pulsar do coração
que ao lento rolar de um rio,
pois a radiação dá-se por saltos quânticos.

Talvez nosso conhecimento
avance da mesma forma.
Que no campo da física
tenham-se atribuído números inteiros
a cada um desses saltos,
e que nas distintas tradições
existam rituais de iniciação para cada passagem,
em nada altera o fenômeno fundamental.

Os círculos na água clara
dispersam-se a partir da pedra que cai
mas a profundidade do reservatório permanece inalterada.

O coração pulsa aos saltos
mas a circulação do sangue
é uma só e contínua realidade.

Em tempos passados pensou-se que os elétrons
eram como planetas girando ao redor de um núcleo
– um sol central – e que ao seu movimento e à sua velocidade
correspondia uma órbita, naturalmente.

Mesmo assim – para nossa grande surpresa –
a teoria quântica propôs que os elétrons
– apesar de terem movimento, velocidade, etc. –
não têm órbita! Como é isso possível?

Se observarmos ao microscópio eletrônico
um átomo de hidrogênio (o mais sensato de todos)
veremos que a própria luz do instrumento
faz com que seu único elétron absorva energia,
se excite, e saia de sua órbita...
e essa outra órbita nunca a conheceremos.

A teoria quântica nos propõe
– diferentemente da mecânica clássica –
que pode existir movimento
sem trajetória, sem percurso e sem órbita.

Pelo menos, sem um caminho conhecido,
e – o que é mais importante –
sem um caminho que se possa conhecer.

Não é isso a poesia?


Teoría Quántica


El calor irradiado – lo mismo por una fogata campestre
que por las explosiones atómicas al centro del sol –
no forma un flujo continuo:
se parece más al latir del corazón
que al pausado tránsito de un río,
porque la radiación procede por saltos cuánticos.

Tal vez nuestro conocimiento
proceda de la misma forma.
Que en el campo de la física
se haya asignado números enteros
a cada uno de estos saltos,
y que en las distintas tradiciones
existan rituales de iniciación para cada pasaje,
en nada altera el fenómeno fundamental.

Los círculos en el agua clara
se desplazan a partir de la piedra que cae
pero la profundidad del estanque permanece inalterada.

El corazón pulsa por saltos
pero la circulación de la sangre
es una sola y continua realidad.

En un tiempo se pensó que los electrones
eran como planetas girando alrededor de un núcleo
-un sol central- y que a su movimiento y a su velocidad
correspondía una órbita, naturalmente.

Sin embargo – para nuestra gran sorpresa –
la teoría cuántica propuso que los electrones
– a pesar de tener movimiento, velocidad, etc. –
¡no tienen órbita! ¿Cómo es esto posible?

Si observamos al microscopio electrónico
un átomo de hidrógeno (el más sencillo de todos
veremos que la luz misma del instrumento
provoca que su único electrón absorba energía,
se excite, y se salga de su órbita...
y esa otra órbita nunca la conoceremos.

La teoría cuántica nos propone
-a diferencia de la mecánica clásica-
que puede existir movimiento
sin trayectoria, sin recorrido y sin órbita.

Al menos, sin un camino conocido,
y -lo que es más importante-
sin un camino que se pueda conocer.

¿No es esto la poesía?



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