sábado, 2 de maio de 2020

Gabriela Mistral (Chile: 1889 – 1957)



Tornar a vê-lo


E nunca, nunca mais, nem em noites plenas

de tremor de astros, nem nas alvoradas

virgens, nem nas tardes sacrificadas?

 

À margem de nenhum caminho pálido,

que cinge o campo, à margem de esquecida

fonte trêmula, branca e enluarada?

 

Debaixo do emaranhado da selva,

onde o chamo sem ver que anoiteceu,

nem na gruta que ecoa meu escarcéu?

 

Oh, não! Tornar a vê-lo, não importa onde,

em remansos de céu ou em vórtice ebulidor,

sob umas luas plácidas ou  em um cárdeo horror!

 

Ser com ele em todas as primaveras

e os invernos, num angustiado

laço, no seu pescoço ensanguentado!



Volverlo a Ver


¿Y nunca, nunca más, ni en noches llenas

de temblor de astros, ni en las alboradas

vírgenes, ni en las tardes inmoladas?


¿Al margen de ningún sendero pálido,

que ciñe el campo, al margen de ninguna

fontana trémula, blanca de luna?


¿Bajo las trenzaduras de la selva,

donde llamándolo me ha anochecido,

ni en la gruta que vuelve mi alarido?


¡Oh, no! ¡Volverlo a ver, no importa dónde,

en remansos de cielo o en vórtice hervidor,

bajo unas lunas plácidas o en un cárdeno horror!


¡Y ser con él todas las primaveras

y los inviernos, en un angustiado

nudo, en torno a su cuello ensangrentado!



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