quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Ali Chumacero (México: 1918 – 2010)

 Jardim de cinzas

 

Haver crido em alguma vez

vendo a noite desabar no mundo

e uma tristeza no coração entornada,

e depois esse corpo que pressionam nossas mãos:

a mulher que sorri

e sobre o leito nos transforma

em cadáver mutilado na lembrança,

como mentira ínfima

ou rosa há séculos vivendo no silêncio.

E sem dúvida nela nos perdemos,

mortos contra seus braços, em seus mistérios mudos

como uma voz que ninguém escuta,

frutos já de cadáver de amor, petrificados;

seu prazer nos sustém sobre um enganoso mundo,

aí nos consumimos prosseguindo

na vã tarefa interminável,

e logo não cremos em nada,

somos desolação ou cruel lembrança,

vazio que não encontra mar nem forma,

em um cruel lamento de ataúdes.

  

Jardín de ceniza

 

Haber creído alguna vez

viendo la noche desplomarse al mundo

y una tristeza al corazón volcada,

y después ese cuerpo que oprimen nuestras manos:

la mujer que sonríe

y sobre el lecho se nos vuelve

cadáver mutilado en el recuerdo,

como mentira ínfima

o rosa desde siglos viviendo en el silencio.

Y sin embargo en ella nos perdemos,

muertos contra sus brazos, en su misterio mudos

tal una voz que nadie escucha,

frutos ya de cadáver de amor, petrificados;

su placer nos sostiene sobre un mentido mundo,

ahí nos consumimos continuando

en la vana tarea interminable,

y luego no creemos nada,

somos desolación o cruel recuerdo,

vacío que no encuentra mar ni forma,

rumor desvanecido en un duro lamento de ataúdes.


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