segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Piedad Bonnett (Colômbia: 1951 – )

 

Teu nome

  

Quando a dor houver triturado já o último osso de minha noite

e apenas haja o silêncio para o coração insone que fia

e  desfia penas e memórias

vem teu nome até meu quarto às escuras.

Com um galope seco vem teu nome abrindo

um caminho entre brumas

instaurando suas vozes seus dobres

seus erres que retumbam como um grito de guerra

seu rude sotaque de sino quebrado.

Teu nome é tantas coisas:

a lembrança de um barco que vem do ultramar e seus teimosos marinheiros

o fogo entre a pedra

gota rubra

que vai tingindo a parede da aurora.

Nele pode-se escutar a voz dos que creem

com mística implacável e fé colérica.

Mas é também doçura teu nome

muro branco onde minha mão traça os sinais do sossego

lugar onde recosto minha cabeça.

Entre teu nome e ti sem dúvida um silêncio

uma fenda noturna onde se aninham os pássaros.

 

Tu nombre

 

Cuando el dolor ha triturado ya el último hueso de mi noche

y sólo habla el silencio al corazón insomne que hila

y deshila penas y memorias

viene tu nombre hasta mi cuarto a oscuras.

Con un galope seco viene tu nombre abriendo

un camino entre nieblas

instaurando sus voces sus redobles

sus erres que retumban como un grito de guerra

su bronco acento de campana rota.

Tu nombre es tantas cosas:

el recuerdo de un barco que viene de ultramar y sus tercos marinos

el fuego entre la piedra

gota roja

que va tiñendo la pared del alba.

En él puede escucharse la voz de los que creen

con mística implacable y fe colérica.

Pero es también dulzura tu nombre

muro blanco donde mi mano traza los signos del sosiego

lugar donde recuesto mi cabeza.

Entre tu nombre y tú sin embargo un silencio

una grieta nocturna donde anidan los pájaros.

 

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