segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Alaide Foppa (Guatemala: 1914 – 1980)

 

Ela se sente às vezes...

 

Ela se sente às vezes

como coisa esquecida

no canto escuro da casa

como fruto devorado por dentro

pelos pássaros rapaces,

como sombra sem rosto e sem peso.

Sua presença é apenas

vibração leve

no ar imóvel.

Sente que a transpassam os olhares

e que se torna névoa

entre os torpes braços

que intentam circundá-la.

Quisera ser ao menos

uma laranja suculenta

na mão de um menino

– não casca vazia –

uma imagem que brilha no espelho

– não sombra que se dissipa –

e uma voz clara

 – não pesado silêncio –

alguma vez ouvida.

 

Ella se siente a veces...

 

Ella se siente a veces

como cosa olvidada

en el rincón oscuro de la casa

como fruto devorado adentro

por los pájaros rapaces,

como sombra sin rostro y sin peso.

Su presencia es apenas

vibración leve

en el aire inmóvil.

Siente que la traspasan las miradas

y que se vuelve niebla

entre los torpes brazos

que intentan circundarla.

Quisiera ser siquiera

una naranja jugosa

en la mano de un niño

-no corteza vacía-

una imagen que brilla en el espejo

-no sombra que se esfuma-

y una voz clara

-no pesado silencio-

alguna vez escuchada.

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